terça-feira, 25 de maio de 2010

Todo o meu esforço canalizo para a vida...

Todo o meu esforço canalizo para a vida.

Não para o equilíbrio, não para as certezas.

Sigo suportando nas costas todo o peso da desesperança, pois que a esperança, é ridículo, dramático, que a humanidade ainda precise dela.

Esperança em quê?

Em remédios que curem?

... Em poemas que se dão de mão em mão?

E as cartas sem resposta?

E os becos sem saída?

E a nova hipocrisia?

E o deus-dinheiro que nos espreita a cada esquina?

... E a África?

E a América latina?

...E todas essas universidades e tantos analfabetos?

...Toda gente sabe a extensão da verdade:

surpreendendo a paisagem esfomeada, o gatilho já não precisa do dedo de ninguém.

Autor: Artur Manuel do Cruzeiro Seixas nasceu em Lisboa em 1920



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