Todo o meu esforço canalizo para a vida.
Não para o equilíbrio, não para as certezas.
Sigo suportando nas costas todo o peso da desesperança, pois que a esperança, é ridículo, dramático, que a humanidade ainda precise dela.
Esperança em quê?
Em remédios que curem?
... Em poemas que se dão de mão em mão?
E as cartas sem resposta?
E os becos sem saída?
E a nova hipocrisia?
E o deus-dinheiro que nos espreita a cada esquina?
... E a África?
E a América latina?
...E todas essas universidades e tantos analfabetos?
...Toda gente sabe a extensão da verdade:
surpreendendo a paisagem esfomeada, o gatilho já não precisa do dedo de ninguém.
Autor: Artur Manuel do Cruzeiro Seixas nasceu em Lisboa em 1920
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