quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Duvida


É só a duvida que nos une e nos aproxima.
É só disso que precisamos.
Não acredito que haja nada verdadeiro.
Quando uma pessoa encontra a verdade, a única coisa que ela adquire é a impossibilidade de ouvir o outro.
Ela só fala, não ouve mais.
Quem encontra a verdade, só fala!
Autor: Bartolomeu Campos de Queirós

domingo, 20 de novembro de 2011

Caixa Preta


           Estive debruçado sobre o livro de Amós Oz, “Caixa Preta”, uma bela colocação, que envolve uma especie de triangulo amoroso de uma relação conjugal desfeita, porem não acabada, com a relação conjugal presente. A bela e infiel Ilana protagoniza todo o drama que se desenrola ao longo dos pedaços de historia contadas através de cartas. Cada missiva ao meu ver é uma obra de arte . Os problemas envolvem filhos, dinheiro, amor, relações familiares, crenças. É sem duvida um das melhores obras literárias que li este ano.

domingo, 6 de novembro de 2011

Diabo

Olhe: o que devia de haver, era de se reunirem-se os sábios, políticos, constituições gradas, fecharem o definitivo a noção – proclamar por uma vez, artes assembleias, que não tem diabo nenhum, não existe, não pode.
Valor de lei!
Só assim, davam tranquilidade boa à gente.
Por que o Governo não cuida?
                                      Guimarães Rosa  "Grandes Sertões Veredas"

Primo Levi

        Primo Levi nasceu em Turim em 1919, dentro de uma família judia liberal. Estive lendo o livro escrito pelo Primo Levi “A trégua” da editora companhia da letras, é surpreendente a clareza da prosa literária deste sobrevivente de Auschwitz, sua narrativa bela com domínio muito grande da escrita. As mazelas do senhor Levi nos colocam até onde se pode chegar  o ser humano para sobreviver as grandes tragédias. É um dos melhores livros já escritos por um ancestral nosso.
                                                                                            Cledemar  

sábado, 5 de novembro de 2011

Tolstói


         Estive lendo Leon Nikolaievitch Tolstói, genial escritor russo, nasceu em 1828 em Iasnaia Poliana. O seu livro “A morte de Ivan Ilitch” da editora L&PM Pocket,  é um livro fascinante que nos coloca face a face com nossa mortalidade. Os personagens criados por Leon são humanos da forma mais pura que se possa ser, não se observa se eles são bons ou maus apenas medrosos, mesquinhos, covardes, valentes. O sujeito é um profundo pensador social e moral  todos deveriam ler esta obra prima. 
                                                                                                                 Cledemar

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sobre a vida feliz


É desejo de todo homem ... viver feliz,
mas quando se trata de ver claramente o
que torna a vida feliz, eles tateiam em busca da luz;
de fato, uma medida da dificuldade de atingir a vida feliz
é que, quanto maior a energia que um homem gasta
empenhando-se por ela, mais dela se afasta
caso tenha errado em algum ponto do caminho...
                                                              Sêneca 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

sobre Deus


Vou responder com Blake:
"A luxúria do bode é a bondade de Deus.
A fúria do leão é a sabedoria de Deus.
A nudez da mulher é a obra de Deus.

O rugir de leões, o uivar de lobos, o furor do mar e a espada destruidora são fragmentos de eternidade, demasiado grandes para o olho humano."

"..os homens esqueceram-se de que Todas as divindades residem no coração humano"
O Seu Deus será conforme a sua Vontade e a sua Imaginação.. O meu é êxtase sublime, o seu é violento?
                                                                                                             Luciano Alonso 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Consciência

Espinosa teve varias idéias algumas delas bastante plausível: o fato de Deus ser um produtor invés de criador nos coloca todos no mesmo patamar de evolução; outra colocação de Espinosa é seu ataque direto a consciência humana, que faz do ser um escravo. 
A consciência seria segundo Baruch de Espinosa causada pelas transformações ambientais e relações boas e ruins ocorridas ao longo da vida de um indivíduo e teria aspectos litográficos que iriam marcando uma “rocha” com sulcos profundos.
A pessoa dominada pela consciência teria poucas possibilidades de evoluir visto que tais marcas geradas por atribulações antigas gerariam covardes sem grandes ambições e perspectivas. 
A consciência seria o mestre que controlaria a vida e os desejos humanos e suas relações para com os seus pares. O ambiente gera o monstro que viceja nos grandes psicopatas que administram as sociedades de maneira bastante anchas, diga-se de passagem.
Quem concorda em gênero numero e grau com Baruch de Espinosa é outro pensador fascinante Friedrich Wilhelm Nietzsche usando de mais agressividade para compor seu pensamento.
            A pergunta que não podemos deixar de fazer é: como seria um ser humano sem consciência ?
            Como seria uma sociedade composta por individuos sem marcas profundas na sua consciência geradas por seus ganhos e perdas suas frustações e suas conquistas?   
Um nome me vem a mente, Donatien Alphonse François de Sade e seus escritos despudorados, colocando o homem como senhor de seu mundo podendo agir da maneira como lhe apetecesse de acordo com seus desejos e paixões sem prestar conta a consciência.
Fiódor Mikháilovitch Dostoievski pergunta em sua obra, e eu também gostaria saber é: como explicar que o homem, um animal tão predominantemente construtivo seja tão apaixonadamente propenso à destruição?
Fiódor responde que: talvez porque seja uma criatura de reputação duvidosa ou talvez porque seu único propósito na vida seja perseguir um objetivo, algo que, afinal, ao ser atingido, não mais é vida, mas o principio da morte. Em “crime e castigo” fica bastante claro o peso das marcas causadas pela consciência.  
                                                Cledemar Pereira Machado

quinta-feira, 21 de julho de 2011

certezas

De uma coisa temos certeza: a terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra.
Disso temos certeza.
Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família.       
Tudo está associado.
O que fere a terra, fere também os filhos da terra.
O homem não tece a teia da vida; é antes um de seus fios.
O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.  
                                     Chefe  Seattle, da tribo Suquamish.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O que se vê


Que o que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente,
aos pouquinhos, é o razoável sofrer.
E a alegria de amor
– compadre meu Quelemém, diz.
Família.
Deveras?
É, e não é.
O senhor ache e não ache.
Tudo é e não é...
Quase todo mais grave criminoso feroz,
sempre é muito bom marido, bom filho,
bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos!
Sei desses.
Só que tem os depois – e Deus, junto.
Vi muitas nuvens.
Guimarães Rosa

domingo, 12 de junho de 2011

Linchamento

Neste mundo complicado venho assistindo coisas que são abomináveis e uma destas abominações é o texto abaixo; observe que nos dias de hoje estas ferramentas de controle de seres humanos continuam mais em voga do que gostaríamos de admitir.
A CARTA DE WILLY LYNCH

"Verifiquei que entre os escravos existem uma série de diferenças.
Eu tiro partido destas diferenças, aumentando-as.
Eu uso o medo, a desconfiança e a inveja para mantê-los debaixo do meu controle.
Eu vos asseguro que a desconfiança é mais forte que a confiança e a inveja mais forte que a concórdia, respeito ou admiração.
Deveis usar os escravos mais velhos contra os escravos mais jovens e os mais jovens contra os mais velhos.
Deveis usar os escravos mais escuros contra os mais claros e os mais claros contra os mais escuros.
Deveis usar as fêmeas contra os machos e os machos contra as fêmeas.
Deveis usar os vossos capatazes para semear a desunião entre os negros, mas é necessário que eles confiem e dependam apenas de nós.
Meus senhores, estas ferramentas são a vossa chave para o domínio, usem-nas.
Nunca percam uma oportunidade.
Se fizerdes intensamente uso delas por um ano o escravo permanecerá completamente dominado.
O escravo depois de doutrinado desta maneira permanecerá nesta mentalidade passando-a de geração em geração".
Essa maldita carta é o ápice da criatividade humana usada de forma ignóbil e doentia, convido-vos a se posicionar contra a mentalidade escrava. Precisamos romper essa corrente.

Cledemar Pereira Machado

sábado, 11 de junho de 2011

palavras


O quanto uma palavra pode significar algo?
Designar alguma coisa?
Segundo Wislawa Szymborska
"Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando pronuncio a palavra Silêncio, destruo-o.
Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe no que ainda não existe."
para que serve as palavras senão para nos causarem discórdia como fonte inesgotável?
Cledemar


domingo, 15 de maio de 2011

Para que serve a comunicação?

As novas tecnologias da comunicação multiplicam de modo excepcional a quantidade de informações disponíveis. Isso é ao mesmo tempo fascinante e inquietante. Fascinante porque se nota que transformações muito positivas, em matéria de educação e formação, estão ao alcance da mão. Inquietante porque tudo isso mostra um mundo sobre o qual pairam as ameaças de desumanização e de manipulação.
Um grande filósofo espanhol do século XIX, Francisco Goya, mais conhecido como pintor, escreveu um dia: “O sonho da razão engendra monstros”.
No momento em que explodem as tecnologias da comunicação, nós podemos perguntar se elas não estão a caminho de engendrar monstros de um novo tipo. Certo, essas novas tecnologias são elas mesmas o fruto da reflexão, da razão. Mas se trata de uma razão desperta, no verdadeiro sentido da palavra, isto é, atenta, vigilante, crítica, obstinadamente crítica?
Ou se trata de uma razão sonolenta, adormecida, que no momento de inventar, criar, imaginar e criar, imagina efetivamente monstros?
Ao final do século XIX, quando a ferrovia se impôs como um avanço em matéria de comunicação, alguns espíritos atrasados afirmavam que essa máquina era aterrorizadora e que, nos túneis, as pessoas morreriam asfixiadas.
Eles sustentavam que a uma velocidade superior a 50km/h o sangue sairia pelo nariz e pelas orelhas e que os viajantes morreriam em meio a terríveis convulsões.
Esses são os apocalípticos, os pessimistas profissionais. Duvidam sempre do progresso da razão, a qual, segundo os obscurantistas, não pode produzir nada de bom. Mesmo que eles estejam profundamente equivocados, devemos admitir que quase sempre os progressos são bons e maus ao mesmo tempo.
A Internet é uma tecnologia que não é nem boa nem má em si. Só o uso que se fará dela é que nos conduzirá a um julgamento. É por isso que a razão hoje, mais do que nunca, não pode adormecer.
Se uma pessoa recebesse em sua casa, por dia, 500 jornais do mundo inteiro, provavelmente seria considerada louca; e seria verdade, pois quem senão um louco pode se propor a ler 500 jornais por dia?
Alguns esquecem essa evidência quando se satisfazem anunciando que no futuro, graças à revolução numérica, nós poderemos receber 500 canais de televisão.
O feliz assinante dos 500 canais será inevitavelmente tomado de uma impaciência febril que nenhuma imagem poderá saciar. Ele vai se perder num labirinto vertiginoso de zapping permanente. Consumirá as imagens, mas não se informará.
Diz-se às vezes que uma imagem vale mais do que mil palavras. É falso. As imagens têm quase sempre a necessidade de um texto explicativo. Foi dito que graças às novas tecnologias nós chegaríamos no futuro à beira da comunicação total. A expressão é enganosa, ela deixa crer que atualmente a totalidade dos seres humanos do planeta possa comunicar-se.
Lamentavelmente isso não ocorre. Apenas 3% da população da Terra têm acesso a um computador: e os que utilizam a Internet são ainda menos numerosos. A imensa maioria de nossos irmãos humanos ignora até hoje a existência dessas novas tecnologias.
Neste momento eles não dispõem das conquistas elementares da velha revolução industrial: água potável, eletricidade, escola, hospital, estradas, trens, refrigeradores, automóveis etc. Se nada for feito, a atual revolução da informação passará igualmente ao largo dessas pessoas.
A informação só nos torna mais sábios se ela nos aproxima das pessoas. Assim, com a possibilidade de ter acesso, à distância, a todos os documentos dos quais necessitamos, o risco de desumanização e de ignorância aumenta.
No futuro, a chave da cultura não está na experiência e no saber, mas na atitude de buscar a informação nos múltiplos canais que oferece a Internet. Pode-se ignorar o mundo, não saber em que universo social, econômico e político se vive, e dispor de toda a informação possível.
A comunicação deixa, assim, de ser uma forma de comunhão. Como não lamentar o fim daquela comunicação real, direta, pessoa a pessoa?
Com obsessão, vê-se concretizar o cenário do pesadelo anunciado pela ficção científica: cada qual fechado em seu apartamento, isolado de tudo e de todos, na solidão mais terrível, mas ligado na Internet e em comunicação com todo o planeta. O fim do mundo material, da experiência, do contato concreto, carnal…a dissolução dos corpos.
Pouco a pouco nos sentimos tomados pela realidade virtual. Esta, apesar do que se pretende, é velha como o mundo, velha como nossos sonhos. E nossos sonhos nos conduziram a universos virtuais extraordinários, fascinantes, a continentes novos, desconhecidos, onde vivemos experiências excepcionais, de aventuras, de amores, de perigos. E às vezes a pesadelos. Contra o que nos advertiu Goya.
Sem que isso signifique entretanto o fim da imaginação, da criação e da invenção, pois por isso se paga muito bem.
É acima de tudo uma questão de ética. Qual é a ética daqueles que, como o sr. Bill Gates e Microsoft querem a todo custo ganhar a guerra das novas tecnologias para obter o maior benefício pessoal?
Qual é a ética dos raiders e dos golden boys que especulam na bolsa servindo-se dos avanços da tecnologia da comunicação para arruinar os Estados ou levar à falência centenas de empresas pelo mundo afora?
Qual é a ética dos generais do Pentágono que, aproveitando-se dos privilégios do progresso, das imagens sintéticas, programam mais eficazmente seus mísseis tomahawk para semear a morte?
Impressionada, intimidada pelo discurso modernista e tecnicista, a maioria dos cidadãos capitula. Eles aceitam adaptar-se ao novo mundo que se anuncia como inevitável. Já não fazem nada para opor-se. São passivos, inertes, cúmplices. Dão a impressão de haver renunciado. Renunciado a seus direitos e a seus deveres. Em particular, ao dever de protestar, de levantar-se, de sublevar-se.
Como se a exploração tivesse desaparecido, e a manipulação dos espíritos tivesse sido extinta.
Como se o mundo estivesse sendo governado por inocentes, e como se a comunicação tivesse se tornado subitamente um assunto de anjos.

* José Saramago, escritor português, Prêmio Nobel de Literatura de 1998.

domingo, 1 de maio de 2011

ULISSES

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade.
E a fecundá-la decorre.
Embaixo, a vida, metade
De nada, morre. 
                           Fernando Pessoa

domingo, 17 de abril de 2011

Avanço


Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez; quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfônico no oriente; quando tempo significar apenas rapidez online; quando o tempo, como história, houver desaparecido da existência de todos os povos, quando um esportista ou artista de mercado valer como grande homem de um povo; quando as cifras em milhões significarem triunfo, - então, justamente então – reviverão como fantasma as perguntas:

Para quê?
Para onde?
E agora?
A decadência dos povos já terá ido tão longe, que quase não terão mais força de espírito para ver e avaliar a decadência simplesmente como... Decadência. Essa constatação nada tem a ver com pessimismo cultural, nem tampouco, com otimismo... O obscurecimento do mundo, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odiosa contra tudo que é criador e livre, já atingiu tais dimensões, que categorias tão pueris, como pessimismo e otimismo, já haverão de ter se tornado ridículas.

Martin Heidegger

terça-feira, 15 de março de 2011

Visão


Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.
Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."
Fernando Pessoa

quinta-feira, 3 de março de 2011

Valores


Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras tornam-se suas atitudes.
Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos. Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se seus valores. Mantenha seus valores positivos, porque seus valores...
Tornam-se seu destino.
Mahatma Gandhi

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Saudações as Mulheres


Meu amigo homem preste atenção minha saudação é de um modo geral a tua mãezinha doce criatura com toda ternura lhe criou afinal em sua mão ela segurou seus primeiros passos ela amparou te deixou adulto em pé sorridente seguindo em frente a vida real e no drama atual hoje faz o que quer, mas sem o calor da mulher amada segue a estrada errada em um rumo qualquer.
Se alguém me condena por ser mulherengo eu só me defendo dizendo a verdade: mulher meu amigo é motivo de gloria lhe respondo agora com sinceridade. Seja mariposa ou esposa fiel tem sempre o papel de amar e servir. Na força expressiva de ser racional na doce ternura do amor maternal outra coisa igual ninguém vai sentir, com sinceridade eu vou lhe dizer: sem ter mulher comigo não quero viver!
Se um homem chora e sofre por uma mulher, tem todo direito vou dizer agora, pois a grande esperança de seu paraíso esta no sorriso de cada senhora. Esse ser humano tem muito valor e seduz o amor com um gesto qualquer e foi através de ti que a luz acendeu. Jesus nasceu e foi o rei do mundo e seu amor profundo proclamou a fé. É por tudo isso que eu tenho certeza que a maior riqueza do mundo é a mulher.
Salvador Machado

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Mal-estar na Civilização


É impossível fugir à impressão de que as pessoas comumente empregam falsos padrões de avaliação – isto é, de que buscam poder, sucesso e riqueza para elas mesmas e os admiram nos outros, subestimando tudo aquilo que verdadeiramente tem valor na vida.
No entanto, ao formular qualquer juízo geral desse tipo, corremos o risco de esquecer quão variados são o mundo humano e sua vida mental.
Existem certos homens que não contam com a admiração de seus contemporâneos, embora a grandeza deles repouse em atributos e realizações completamente estranhos aos objetivos e aos ideais da multidão.
Facilmente, poder-se-ia ficar inclinado a supor que, no final das contas, apenas uma minoria aprecia esses grandes homens, ao passo que a maioria pouco se importa com eles.
Contudo, devido não só às discrepâncias existentes entre os pensamentos das pessoas e as suas ações, como também à diversidade de seus impulsos plenos de desejo, as coisas provavelmente não são tão simples assim.
Sigmund Freud

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Medo

 Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade

domingo, 23 de janeiro de 2011

Navegar é Preciso


Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Fernando Pessoa

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A tecnologia é apenas uma ferramenta...

A TECNOLOGIA É APENAS UMA FERRAMENTA.
O TALENTO, ESTE SIM, É TUDO.
O GÊNIO É AINDA UM POUCO MAIS QUE TUDO. 
QUANTO À ORIGINALIDADE, É A MAIS PERIGOSA DAS TENTAÇÕES:
A DE NÃO SE PARECER COM NADA.
SOZINHA, A ORIGINALIDADE É UMA QUALIDADE NEGATIVA.
PRECISA DE COMPANHIA PARA TER VALOR.
É POR ISSO QUE O GÊNIO NÃO É FEITO SÓ DE ORIGINALIDADE, MAS, ANTES, DE TALENTO.
TALENTO PARA EXPRIMIR O PENSAMENTO UNIVERSAL.
JÁ A TECNOLOGIA É APENAS UMA FERRAMENTA.
POR SI SÓ, É NADA. 
Joaquim Nabuco

domingo, 26 de dezembro de 2010

A Depender de Mim

A depender de mim
Os psicanalistas estão fritos
Eu mesmo é que resolvo os meus conflitos
Com aspirina amor ou com cachaça
Os gritos todos virarão fumaça
A dor é coisa que dói e que passa
Curar feridas só o tempo há de
Toda regra para o bem da humanidade
É certo necessita de uma exceção

A depender de mim
Os publicitários viram bolhas
Eu sei como fazer minhas escolhas
E assumir os erros que lá vem
Se a alma finca pé os medos somem
Menino nunca deixe que te domem
Mau pai dizia o verdadeiro homem
Sabe o que quer ainda que não queira
Besteira é não seguir o coração

A depender de mim
Os padres e pastores serão tristes
Eu penso mesmo que deus não existe
E ainda assim quem sabe eu creia em deus
Se deus é o outro nome da verdade
Deste momento até a eternidade
Eu levo entre mentiras e trapaças
Besta felicidade frágil farsa.

Do que preciso riso preces e paixão

Zeca Baleiro

Explicações científicas

Explicam cientificamente as decisões de um planeta, esquecem-se acontecimentos mínimos.

Só há livros sobre reis e invasões, enormes discursos, nem uma única página sobre as palavras bom-dia. Ninguém conhece um fato por dentro, como se conhece um objeto de consumo.

Não sabe que quem vem do nascimento vai para a morte, dois lugares fixos, cuja distância entre eles depende do acaso, raramente da decisão do homem triste que se suicida.


Sobre o autor:

Gonçalo M.Tavares, nasceu em Angola, Luanda, no ano de 1970. Publicou sua primeira obra em 2001. Escreveu o romance "Jerusalém"

A mulher do próximo

Não desejarás a mulher do próximo”.
E a mulher do próximo pode me desejar?
E se desejo o próximo ou se ele me deseja?
E se o próximo não deseja a mulher dele?
E se a mulher do próximo não deseja a ele?
E se os três nos desejamos?
E se ninguém deseja ninguém?
E se minha mulher deseja a mulher do próximo?
E por que não o próximo?
E se o próximo deseja minha mulher?
E se eu desejo a minha mulher e a do próximo?
E se ambas me desejam?
E se todos nos desejamos?
Sempre aparecerá alguém para dizer:
‘Vamos parar por ai, pára por ai
Não desejarás, não desejarás e ponto final’ ”.

(Sérgio Kohan)

domingo, 19 de dezembro de 2010

História clínica

Informou que sofria de taquicardia toda vez que o via, mesmo que fosse de longe.

Declarou que suas glândulas salivares secavam quando ele a olhava, mesmo que fosse por acaso.

Admitiu uma hipersecreção das glândulas sudoríparas toda vez que falava com ele, mesmo que fosse apenas por cortesia.

Reconheceu que padecia de graves desequilíbrios de pressão sanguínea quando ele a roçava, mesmo que fosse por engano.

Confessou que padecia de tonturas, que sua visão se enevoava, que seus joelhos afrouxavam.

Que nos dias não conseguia parar de dizer bobagens.

Que padecia de insônia.

Foi a muito tempo doutor.

Eu nunca mais senti nada disso doutor.

O médico ergueu a sobrancelhas e perguntou.

Nunca mais sentiu nada disso?

Sim senhor doutor!

Então o medico proferiu o diagnóstico.

Seu caso é muito grave!

Eduardo Galeano